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URIHI - a Terra-floresta

A palavra Yanomae URIHI (e suas variantes nas outras línguas Yanomami) designa a floresta e seu chão. Significa também território: ipa urihi, "minha floresta", pode referir-se à região de nascimento ou à região de moradia atual do enunciador; kami yamak urihipë é para os Yanomami "nossa terra-floresta".
Fonte de recursos imprescindíveis à sua existência, a terra-floresta URIHI não é, entretanto, para os Yanomami, um simples cenário inerte submetido à vontade dos seres humanos. Entidade viva, ela tem uma essência-imagem (utupë) e um sopro vital (wixia), bem como um poder de fertilidade imaterial (në rope). Os animais (yaropë) que abriga são vistos como avatares dos antepassados míticos homens/animais da primeira humanidade (Yaroripë) que acabaram assumindo a condição animal em razão do seu comportamento descontrolado, inversão das regras sociais atuais. Nas suas profundezas emaranhadas, nas suas colinas e nos seus rios, escondem-se inúmeros seres maléficos (në waripë), aos quais se atribui o poder de ferir ou matar os Yanomami como caça. No topo das montanhas, moram as imagens dos ancestrais-animais transformadas em espíritos xamânicos xapiripë.
Os espíritos xapiripë foram deixados por Omama, o demiurgo Yanomami, para que cuidassem dos humanos através das curas xamânicas. Toda a extensão de URIHI é assim coberta pelos seus espelhos onde brincam e dançam sem fim. Yanomae thëpë urihipë - "a floresta dos seres humanos" - é também, e antes de tudo, a mata que Omama deu para os Yanomami viverem e prosperarem, de geração em geração, para sempre.

Bruce Albert - Pesquisador do IRD (Paris)
Transcrito do site ISA, sob permissão

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Autor: Ancelmo
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primeiro semestre de 2001
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